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21 / Maio / 2020
Universidades são o centro do combate à pandemia, afirma reitora da UFMG

Sandra Goulart Almeida e Denise de Carvalho, da UFRJ, apresentaram ações das duas instituições e refletiram sobre a crise atual

Sandra Goulart, Guida Aquino e Denise Pires: universidade e pandemia. Foto: Raphaella Dias / UFMG

A universidade pública brasileira é o polo articulador do combate à pandemia de Sars-coV-2 no país. Desde o início da crise sanitária, a instituição tem sido a responsável por fazer a interlocução entre os diversos atores sociais que vêm lutando para diminuir o número de vítimas do novo coronavírus. Essa afirmação foi feita pela reitora Sandra Regina Goulart Almeida na noite da última terça-feira, 19, em sua participação na mesa Universidade e pandemia I, do Congresso Virtual UFBA 2020: universidade em movimento, que está sendo realizado desde ontem na internet.

Sandra Goulart fez a comunicação A universidade e a pandemia de Covid-19, em que reportou ao público o conjunto de ações que a UFMG vem realizando no combate à pandemia, assim como o seu papel de articulação dos diversos atores envolvidos nessa luta, como o poder público regional, os hospitais e a sociedade civil. Também participou da conversa a médica e biofísica Denise Pires de Carvalho, reitora da UFRJ, que também listou as ações desenvolvidas por sua universidade. A mesa foi mediada pela reitora Guida Aquino, da Universidade Federal do Acre (UFAC).

Uma ouvinte da mesa – que chegou a reunir cerca de 300 pessoas simultaneamente – perguntou às reitoras sobre os desafios de se enfrentar cientificamente “o novo normal” quando nem mesmo “o atual governo, por razões ideológicas, tem apoiado as universidades”. Sandra respondeu que esse é o grande desafio que se coloca no presente e para o futuro. “Isso é de fato inaceitável”, disse. “Trata-se mesmo do grande desafio de agora para frente: não apenas responder a tudo que tem sido demandado de nós pela pandemia e pela sociedade, mas também lidar com o ‘novo normal’ nesse contexto extremamente desafiador”.

A reitora da UFMG lembrou que as universidades se veem obrigadas a enfrentar a pandemia de Sars-coV-2 com os orçamentos defasados em uma década. “Temos uma situação extremamente precária em termos financeiros, pois voltamos aos orçamentos de 2009”, disse. “Não estamos a serviço de um governo, estamos a serviço de um Estado, o Estado brasileiro, a serviço das nossas sociedades. Nesse sentido, esse é um tipo de discurso que não leva a lugar nenhum e que, de fato, nos ofende”, desabafou.

Sandra Goulart: universidades enfrentam pandemia com orçamento de uma década atrás
Sandra Goulart: universidades enfrentam pandemia com orçamentos defasados em uma décadaRaphaella Dias / UFMG

País respondeu tardiamente
Após saudação do anfitrião, o reitor João Carlos Salles, da UFBA, a mediadora Guida Aquino listou o conjunto de atividades que as universidades públicas brasileiras, como a UFMG e a UFRJ, têm realizado no combate à Covid-19: produção de álcool em gel e de equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde, ações comunitárias e campanhas educativas, assessoria técnica a prefeitos e governadores, oferta de teleatendimento em medicina para a população e de acompanhamento psicológico de profissionais da saúde e formatura antecipada de médicos para atuar no combate à pandemia, sem falar das “mais de 800 pesquisas em desenvolvimento no país” e do trabalho do trabalho dos hospitais universitários.

Denise de Carvalho, da UFRJ, lembrou que o Brasil, apesar de ter sido um dos últimos países a registrar casos da doença e de contar com a total dedicação de seu corpo científico, ainda assim “respondeu de forma atrasada ao problema”: “Infelizmente, as universidades não foram ouvidas”, disse ela. “Recurso que é destinado à ciência não é gasto, é investimento”, o que, segundo ela, o atual trabalho das universidades públicas brasileiras só faz demonstrar.

A reitora da UFRJ – universidade que completa cem anos neste ano – ainda falou sobre como a atual pandemia coloca a humanidade em estado de suspensão reflexiva. “Esse vírus expõe a fragilidade do ser humano”, disse. “É um momento de reflexão de toda a humanidade, de pensarmos no que um vírus foi capaz de fazer em poucos meses com todo o mundo. É algo que expõe não só a fragilidade da nossa sociedade, além da própria desigualdade social cultivado pelo Brasil em sua história”, lamentou Denise.

A programação do Congresso Virtual UFBA 2020: universidade em movimento, que segue até 29 de maio, conta com mais de 700 atividades, entre palestras, mesas e intervenções artísticas, com até nove transmissões simultâneas ao vivo. O congresso também promove uma sessão virtual de pôsteres, com mais de 500 trabalhos.