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20 / Maio / 2020
Universidades públicas mineiras defendem adiamento do Enem

Documento divulgado pelo Foripes destaca que manutenção da data tradicional, em 2020, pode gerar graves prejuízos para estudantes e instituições

Sala de prova do Enem: data mais oportuna. Imagem: Wilson Dias / Agência Brasil

As universidades e institutos federais mineiros, o Cefet-MG e as instituições do estado (UEMG e Unimontes) defendem o adiamento da edição de 2020 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em razão da crise sanitária provocada pelo novo coronavírus. A posição foi manifestada por meio de carta aberta divulgada nesta segunda-feira, 18 de maio, pelo Fórum de Instituições Públicas de Ensino Superior (Foripes-MG).

O documento destaca que o Enem é “importante ferramenta de democratização de oportunidades para o acesso ao ensino superior”, mas que o momento atual exige esforço pela prevenção e mitigação dos danos causados pela pandemia de Covid-19. “Os custos das situações extremas tendem a recair com mais força sobre os mais pobres, acentuando ainda mais as desigualdades. É também conhecida a dificuldade de acesso à educação de muitos brasileiros, que só tende ao agravamento com a pandemia de Covid-19”, diz o documento.

Para os dirigentes das instituições públicas de ensino superior mineiras, insistir em manter, neste ano, a data tradicional do Enem pode trazer graves prejuízos aos estudantes e às instituições. Eles pedem que “o Enem 2020 seja adiado para uma data mais oportuna, a ser definida tão logo o quadro atual seja mais bem compreendido e possamos, de forma segura, realizar o exame dentro de condições mais favoráveis e justas”.

Eis a íntegra do documento:

PELO ADIAMENTO DO ENEM 2020

O Fórum das Instituições Públicas de Ensino Superior (FORIPES), formado pelas universidades e institutos federais mineiros, pelo CEFET-MG e pelas universidades estaduais (UEMG e UNIMONTES), vem a público posicionar-se pelo adiamento da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2020.

É inegável que o ENEM se tornou, nos últimos anos, uma importante ferramenta de racionalização e democratização de oportunidades para o acesso ao ensino superior. Em Minas Gerais, todas as instituições públicas utilizam o ENEM como parte do seu processo de ingresso e reconhecem que a marcante mudança no perfil socioeconômico dos estudantes das universidades mineiras passa pela adoção do Exame, associada a outros importantes fatores. A organização de um exame nacional que permite nivelar as oportunidades pela realização de uma mesma prova torna um pouco mais equânime a competição entre alunos de escolas públicas e privadas, ricos e pobres.

Como é evidente e vem sendo reiterado por organizações científicas nacionais e internacionais, o atual momento é de prevenção, contenção e mitigação dos danos da pandemia de Covid-19. Nesse cenário, é necessário reconhecer que os custos das situações extremas tendem a recair com mais força sobre os mais pobres, e se essas situações não forem enfrentadas com doses robustas de políticas públicas, tendem a acentuar ainda mais as desigualdades.

É também conhecida a dificuldade de acesso à educação de muitos brasileiros, que só tende ao agravamento com a pandemia de Covid-19.

Nesse contexto extraordinário e desigual, entendemos que a insistência na manutenção da data tradicional do Enem 2020, como se não houvesse inúmeras dificuldades a ser enfrentadas, pode gerar graves prejuízos não apenas para os estudantes, mas também para as instituições.

Assim, pedimos que o ENEM 2020 seja adiado para uma data mais oportuna, a ser definida tão logo o quadro atual seja mais bem compreendido e possamos, então, de forma segura, realizar o exame em condições mais favoráveis e justas.

18 de maio de 2020.

Prof. Flávio Antônio dos Santos – Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET/MG; Prof. Kléber Gonçalves Glória – Instituto Federal de Minas Gerais – IFMG; Prof. José Ricardo Martins da Silva – Instituto Federal do Norte de Minas Gerais – IFNMG; Prof. Charles Okama de Souza – Instituto Federal do Sudeste de Minas – IFSEMG; Prof. Marcelo Bregagnoli – Instituto Federal do Sul de Minas Gerais – IF SUL DE MINAS; Profª Deborah Santesso Bonnas – Instituto Federal do Triângulo Mineiro – IFTM; Profª Lavínia Rosa Rodrigues – Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG; Prof. Antônio Alvimar Souza – Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES; Prof. Sandro Amadeu Cerveira – Universidade Federal de Alfenas – UNIFAL-MG; Prof. Dagoberto Alves de Almeida – Universidade Federal de Itajubá – UNIFEI; Prof. Marcus Vinícius David – Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF; Prof. João Chrysóstomo de Resende Júnior – Universidade Federal de Lavras – UFLA; Profª Sandra Regina Goulart Almeida – Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG; Profª Claúdia Aparecida Marliére de Lima – Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP; Prof. Marcelo Pereira de Andrade – Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ; Prof. Valder Steffen Junior – Universidade Federal de Uberlândia – UFU; Prof. Demétrius David da Silva – Universidade Federal de Viçosa – UFV; Prof. Luiz Fernando Resende dos Santos Anjo – Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM; Prof. Janir Alves Soares – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM

Medidas no mundo
Levantamento feito pelo Instituto Unibanco, com base em informações coletadas em 27 países, revela que, em grande parte deles, a decisão é por adiar exames educacionais, nos vários níveis de ensino, em razão das medidas de contenção da pandemia de Covid-19.

Segundo o estudo, entre outras soluções, há casos de cancelamento das provas de âmbito nacional, com adoção de métodos alternativos de avaliação, e alterações no conteúdo dos exames.

Apenas cinco dos 27 países analisados mantiveram as datas das avaliações de acesso à universidade. E, nos casos em que a agenda dos exames está confirmada, os governos têm tomado precauções contra os riscos de infecção, cumprindo protocolos recomendados pela Organização Mundial de Saúde. Leia mais.

[Publicado originalmente no Portal UFMG]