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26 / abr / 2023
Produção científica do ICA é destaque em seminário de Agroextrativismo Sustentável

Acadêmicos de graduação, pós-graduação, servidores técnico-administrativos e professores apresentaram pesquisas desenvolvidas com frutos do cerrado

Seminário reuniu pesquisadores, acadêmicos, agroextrativistas e representantes de órgãos ligados à cadeia produtiva de frutos do cerrado. (Foto: Ana Cláudia Mendes/UFMG)

Todo o potencial do cerrado norte-mineiro, pesquisas e técnicas para aperfeiçoamento do trabalho de agroextrativistas na região foram os temas apresentados no seminário de Agroextrativismo Sustentável realizado pelo Consórcio Intermunicipal Multifinalitário para o Desenvolvimento Ambiental Sustentável do Norte de Minas – Codanorte – no Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da UFMG, nos dias 25 e 26 de abril.

Na abertura do seminário o professor doutor do ICA, Fausto Makishi, ministrou a palestra “É possível pensar numa economia verde para o cerrado mineiro”. O docente falou sobre a vertente da economia que valoriza o bem-estar social com responsabilidade ambiental.

O professor Fausto Makishi falou sobre economia verde para o cerrado mineiro. (Foto: Ana Cláudia Mendes/UFMG)

Ao final, foi feita uma reflexão sobre o papel da universidade como apoiadora deste processo e chamou a atenção para três pontos para a preservação do cerrado. “É preciso ter maior monitoramento e fiscalização das áreas de preservação e espécies protegidas, em nível tanto municipal quanto estadual. É importante também desenvolver tecnologias, processos e conhecimento para uma produção mais sustentável, que passe pela agroecologia e pelo agroextrativismo. E também é necessário criar uma ideia de valorização dos produtos da sociobiodiversidade, com produtos de alto valor agregado, com diferenciais regionais que possam agregar valor não só à produção, ao trabalho e à renda da população local, mas também agregar valor à região e território como um todo”, explicou.

O técnico do laboratório de Óleos e coordenador do projeto de extensão do ICA “Melhoria No Sistema De Gestão Da Produção E Da Qualidade Dos Produtos Nas Unidades De Processamento De Frutos Nativos E Da Agricultura Familiar Do Norte De Minas Gerais”, Teddy Farias, falou sobre os resultados dos trabalhos desenvolvidos junto a seis cooperativas do Norte de Minas. De acordo com a coordenação do projeto, juntas as cooperativas reúnem cerca de 200 famílias do Norte de Minas. “Estes grupos não têm a cultura do registro, do acompanhamento da origem dos frutos. Mas a partir das capacitações que temos realizado, algumas comunidades já estão passando a anotar as etapas, colocar número de lotes nos produtos, fazer rotulagem”, explica. Além do acompanhamento do trabalho dos empreendimentos, foram realizadas capacitações junto aos agroextrativistas e análise físico-química dos produtos seguindo as recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Segundo Teddy Farias existem grandes empresas de olho neste mercado e, por isso, há a necessidade de evolução. Um dos gargalos apontados estaria ligado a questões culturais. “Para alguns agricultores, há a alteração no modo de vida deles. Migrar da agricultura de subsistência para algo que atenda às necessidades do mercado não é um processo simples”, pontua.

Projeto de extensão do ICA oferece capacitação a seis cooperativas do Norte de Minas. (Foto: Ana Cláudia Mendes/UFMG)

Durante os dois dias de evento foram realizados workshops, palestras, mesa redonda e painéis expositores, degustação com as delícias do cerrado mineiro, depoimentos e casos de sucesso, além de Feira de Empreendimentos, Mostra Científica e oficina temática.

Produção Científica do ICA

III Mostra Científica reuniu 13 trabalhos com plantas nativas do cerrado realizadas no ICA. (Foto: Ana Cláudia Mendes/UFMG)

Durante a III Mostra Científica, foram apresentados 13 trabalhos de pesquisa desenvolvidos no campus da UFMG em Montes Claros. Entre os temas apresentados estão a influência da polinização de frutíferas no cerrado, diferenças de mudas de pequizeiro em três ambientes de produção, competição e coexistência de mudas de pequi e capim braquiarão, período de mudas de coquinho azedo, entre outras.

O mestrando em Produção Vegetal Marco Aurélio dos Santos, apresentou um estudo sobre o período ideal de armazenamento de sementes de coquinho azedo para o plantio. Como ainda não existe uma cadeia produtiva de mudas do fruto, já que se trata de uma espécie de extrativismo que é reposta no ambiente a partir das matrizes naturais, ainda não existiam estudos a respeito deste assunto. Daí, veio a dúvida de até quando seria viável armazenar este material para se obter taxas de germinação aceitáveis. “Neste trabalho, armazenamos as sementes num período de 150 dias e fomos avaliando a taxa de deterioração das sementes, o teor de água. Chegamos à conclusão de que o período ideal, pensando em taxas de germinação, seria de até 60 dias”, explicou Marco Aurélio.

O mestrando Marco Aurélio dos Santos apresentou os resultados preliminares da pesquisa sobre o período de armazenamento de sementes de coquinho azedo para plantio. (Foto: Ana Cláudia Mendes/UFMG)

O presidente da Comissão Científica do evento, professor Fausto Makishi, destacou a experiência do Instituto de Ciências Agrárias da UFMG em pesquisas com frutos do cerrado. “O ICA tem um know-how de mais de 20 anos de experiência com frutos, desde o plantio, manejo, sistemas agroflorestais, sistemas agroecológicos, processamento, agregação de valor. Existe um acumulado de conhecimento científico, acadêmico dentro do Instituto de Ciências Agrárias e um pouco deste evento é trazer este conhecimento para dialogar com a sociedade. O intuito da Mostra Científica é justamente compartilhar os avanços das pesquisas com a comunidade não acadêmica”.

O seminário de Agroextrativismo Sustentável foi realizado pelo Codanorte em parceria com o Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da UFMG e a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – SEAPA.

(Ana Cláudia Mendes/UFMG)