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09 / maio / 2023
Cultivo de trigo no Norte de Minas

Campus da UFMG em Montes Claros participa de experimento da Epamig sobre cultivo do cereal em Minas Gerais

Foram plantados 19 tipos de trigo e 2 de triticale numa área de 2,5 hectares no ICA.
Foto: Ingrid Stéfany I UFMG

O Instituto de Ciências Agrárias da UFMG está entre as instituições participantes de um experimento de adaptabilidade e estabilidade realizado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). O plantio foi realizado na manhã desta terça-feira, dia 09 de maio, no campus do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da UFMG. Na área de 2,5 hectares foram semeados 21 tipos de cereais de inverno: 19 trigos e 2 triticales, um cereal híbrido resultado da hibridação de duas espécies distintas, o trigo (Triticum aestivum L.) e o centeio. “A ideia é mostrar que o trigo tem potencial na região, haja vista que há cinco anos a UFMG vem trabalhando com experimentos de trigo, gerando dissertações de mestrado e artigos em revistas indexadas. Assim, esperamos apresentar novas alternativas para o produtor além do milho e sorgo”, explica o professor do ICA Carlos Juliano Brant.

Para o professor Carlos Juliano Brant, o trigo pode ser uma alternativa de cultura no Norte de Minas. Foto: Ingrid Stéfany I UFMG

O experimento de adaptabilidade e estabilidade será realizado em nove municípios mineiros de diferentes regiões. O plantio já foi feito em Lavras, Muzambinho, Lambari, Itutinga, Patos de Minas, São Gotardo, Felixlândia e Montes Claros. O próximo passo é fazer o plantio em Unaí. O pesquisador da Epamig Sul responsável pelo projeto, Fábio Aurélio Martins, explicou que o objetivo é identificar quais regiões do estado apresentam melhores condições para desenvolvimento das plantas. “Quando a gente tem a somatória dos dados de todas estas regiões, a gente consegue rodar nas análises estatísticas um teste muito específico em que a gente consegue detectar em cada local, qual tipo de cereal é mais adaptado e estável. Então, por exemplo, comparando Montes Claros com outras regiões do estado quais materiais seriam mais propícios para cá e quais seriam indicados para o estado todo”, afirma.

O experimento da Epamig tem como objetivo identificar quais tipos de trigo se desenvolvem melhor em diferentes regiões do estado. Foto: Ingrid Stéfany I UFMG

Alternativa para o plantio de inverno na região

Área onde será realizado o experimento. Foto: Ingrid Stéfany I UFMG

A produção nacional de trigo ainda não é o suficiente para suprir a demanda do país. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), a demanda do cereal no Brasil é de 11 milhões de toneladas, mas o país produz em torno de 6 milhões de toneladas por ano, o que torna o Brasil um importador do produto. Paraná e Rio Grande do Sul são os maiores produtores nacionais. “Minas Gerais tinha uma tradição de cultivo de trigo mais forte em regiões de cultivo irrigado no Triângulo e Alto Paranaíba. Isso mudou nas últimas décadas e hoje, as principais regiões de cultivo são o Sul e Campo das Vertentes, em cultivo de sequeiro. Isso, aconteceu em função da cultura da soja, que demanda um cultivo em sucessão que seja favorável a ela e nem sempre é possível cultivar o milho”, conta o pesquisador da Epamig.

Acadêmicos do ICA irão acompanhar todo o experimento. Foto: Ingrid Stéfany I UFMG

Para o Norte de Minas, o professor da UFMG vê o cultivo de trigo como um aliado nas culturas de milho e sorgo. “É uma alternativa a mais, que não é a solução, mas pode entrar num sistema de produção caso o milho e o sorgo tenham algum problema de produtividade, praga ou doença, que acabe inviabilizando estas culturas. Além disso, a palha do trigo é uma referência em termos de cobertura de solo, o que é importantíssimo para se implantar o plantio direto. Palha em cima de solo é matéria orgânica, é a vida do solo que vai estar sendo favorecida” destaca Brant.
Devido às condições climáticas da região, o experimento será realizado com irrigação. O período do ano para o plantio também foi levado em conta. A atividade tem início quando as temperaturas começam a cair no Norte de Minas. “Além da limitação hídrica, temos também a limitação térmica. Então, se um produtor for trabalhar um dia com trigo, ele tem que semear em abril ou maio, porque temos temperatura mais baixa para conseguir desenvolver. E a quantidade de água necessária é muito menor quando comparada com milho, soja ou sorgo”, detalha Carlos Juliano Brant.
Acadêmicos do ICA assistiram às explicações e participaram do plantio. O grupo será o responsável por acompanhar o experimento, sob supervisão de um professor, ao longo dos próximos meses. Para o estudante do 9º período de Agronomia, Nailson Gonçalves, é uma oportunidade aprimorar ainda mais o conhecimento. “É importante para complementar o que a gente já tem estudado aqui. Nós já utilizamos as algumas das cultivares que eles estão usando aqui, em uma outra ocasião. Agora, é uma oportunidade de ver na prática, o que já vimos na teoria”.

Unidade Demonstrativa
Na ocasião, também foi montada uma unidade demonstrativa no campus com 17 materiais comerciais que foram semeados em faixa para a realização de um dia de campo posteriormente.

(Ana Cláudia Mendes I Cedecom UFMG Montes Claros)