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29 / Maio / 2020
Colaboração e acolhimento marcam interação da UFMG com o mundo na pandemia

Equipe da DRI ainda mantém atividades de rotina e projetos e se prepara para tempos em que a cooperação dependerá menos do deslocamento físico

Queen Mary University é uma das parceiras da coalizão contra a Covid-19. Imagem: bricspolicycenter.org

Há pouco menos de um mês, pesquisadores da UFMG e da Huazhong University of Science and Technology (Hust), de Wuhan, na China, conversaram, via web, sobre a experiência de combate à Covid-19 na cidade que foi o primeiro epicentro da pandemia. Os especialistas da Hust fizeram explanações sobre aspectos virológicos, epidemiológicos, médicos e sociológicos das ações empreendidas na China, assim como sobre políticas públicas fundamentais, como o isolamento social.

Esse encontro virtual foi emblemático da atuação internacional da UFMG durante a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus. A reunião foi intermediada pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI), que deu o impulso inicial para contatos futuros entre pesquisadores dos dois lados. “Temos tirado partido de parcerias consolidadas com instituições estrangeiras para incrementar a colaboração científica com foco na pandemia de Covid-19 e também investimos no contato com outras universidades com as quais a UFMG tem afinidades”, afirma o professor Aziz Tuffi Saliba, titular da DRI.

Ainda na linha das ações dedicadas ao combate à pandemia, a UFMG integra coalizão com a Queen Mary University (QM), do Reino Unido, o Royal Melbourne Institute of Technology e a Fundação Oswaldo Cruz destinada à troca de informações em áreas como genética e microbiologia. Foram formados quatro grupos de pesquisa, um deles liderado pelo professor Mauro Teixeira, do Instituto de Ciências Biológicas, sobre epidemiologia e saúde digital e epidemiologia genética. O grupo vai submeter propostas para captação de recursos oferecidos pelo National Health Service (NHS), o serviço de saúde do Reino Unido.

Apoio à comunidade no exterior
Em outra frente do trabalho no cenário internacional, a DRI acompanha a situação de estudantes e professores da Universidade que passam temporadas no exterior. O cruzamento de dados da Diretoria e da Pró-reitoria de Pós-graduação identificou, num primeiro momento, 285 membros da comunidade em 30 países. Todos receberam uma carta da reitora Sandra Regina Goulart Almeida em que ela afirmava o compromisso da UFMG em apoiar sua comunidade em países estrangeiros e inaugurava um canal direto para a manifestação de demandas e o atendimento personalizado.

Aziz Saliba:
Aziz Saliba: identificação de oportunidades de cooperação. Imagem: Niara Velloso

A apoio da UFMG a seus docentes e estudantes inclui gestões diplomáticas visando à repatriação ou à extensão de vistos, por exemplo, e providências formais de ordens diversas. Um dos casos bem-sucedidos envolveu três discentes que se encontravam em Portugal, com contrato de locação próximo do fim, e não conseguiam voo de volta ao Brasil. Após gestões da DRI no Itamaraty, os estudantes puderam regressar, na última semana de abril.

O esforço se expande para o campo emocional. Professores e estudantes de psicologia mantêm plantão, via Skype e WhatsApp. “O objetivo é amenizar a ansiedade e os temores dos que se encontram fora do Brasil nessa fase de incertezas em vários aspectos. Também estão sendo atendidos os estrangeiros temporariamente vinculados à UFMG e que esperam repatriação ou simplesmente se ressentem, neste momento, da distância das famílias e dos países de origem”, comenta Aziz Saliba, sobre a iniciativa em parceria com a Pró-reitoria de Extensão. Intercambistas no exterior e na UFMG ainda têm participado do Café Intercultural, com atividades como meditação, origami, narração de livros e debates.

A pandemia é tema estreitamente relacionado também a outras ações da Diretoria de Relações Internacionais, como seminário realizado neste mês sobre migração. Especialistas de instituições como a USP e do Ministério Público esclareceram questões como a compatibilidade da Lei de Migração brasileira com as recomendações da Organização Mundial de Saúde e fechamento de fronteiras em tempos de Covid-19.

South
Reunião virtual serviu à preparação de cátedra com a University of SouthamptonAcervo DRI

Projetos não param
A DRI continua se dedicando a tramitação de convênios, participação em encontros de redes acadêmicas internacionais, conversas com representantes diplomáticos e desenvolvimento de projetos, como o de criação de cátedra para Estudos Interdisciplinares com a britânica University of Southampton. A iniciativa prevê intercâmbio de docentes e atividades conjuntas de ensino, pesquisa e extensão. Discutida inicialmente em visita da reitora Sandra Goulart Almeida e do diretor de Relações Internacionais à Inglaterra, em fevereiro deste ano, a iniciativa envolve a Pró-reitoria de Pesquisa da UFMG e sua correspondente na Inglaterra, além de pesquisadores das duas universidades que têm projetos interdisciplinares.

A edição deste ano do Curso de Férias (Summer School) será realizada a distância. Está confirmada a participação de 37 estudantes de 24 universidades em 16 países, e outros compõem lista de espera. O curso vai reunir discentes das universidades de Harvard (EUA), Alberta (Canadá), Western Australia (Austrália) e King’s College London (Reino Unido), entre outras, que vão se juntar a 15 alunos indicados por diferentes unidades da UFMG.

A Diretoria de Relações Internacionais também desenvolve cursos on-line com as universidades de Southampton e California at Irvine (EUA) e a Coleção Desafios Globais, com a Editora UFMG e os centros de estudos regionais vinculados à DRI. A série de seis volumes tratará de cada uma das regiões contempladas pelos centros (América Latina, Europa, América do Norte, África, Índia e Ásia Oriental), e as abordagens contarão com contribuições de docentes da UFMG e de pesquisadores estrangeiros conectados com as pesquisas feitas na Universidade. Ainda está sendo organizado, em conjunto com o Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (IEAT), um debate com acadêmicos de Argentina e Chile sobre as instituições políticas da América do Sul diante do quadro de crise instaurado pela pandemia.

Novas formas de colaboração
De acordo com Aziz Saliba, reuniões virtuais com instituições estrangeiras parceiras não eram incomuns, mas se tornaram, naturalmente, mais frequentes nos últimos meses. “Nesse período, têm sido identificados oportunidades que podem ser bem exploradas com universidades com as quais temos maior engajamento institucional. Além de possibilidades de cooperação em iniciativas de combate à Covid-19 e protocolos que poderão ser adotados pelas instituições na retomada das atividades, temos tratado de novas formas de colaboração on-line e da continuidade de acordos e projetos iniciados antes da pandemia”, informa o diretor de Relações Internacionais. Ele menciona parceiros frequentes, como as universidades de Lille (França), de Münster (Alemanha), de York (Reino Unido), Tecnológica de Sydney (Australia), de Tucumán (Argentina), dos Urais (Rússia) e da Georgia (EUA).

Em suas relações com o mundo nesse período de pandemia, a UFMG tem-se apoiado na certeza, como ressalta Aziz Tuffi Saliba, de que a conjunção de esforços de universidades e países será fundamental para a superação da crise no prazo mais curto possível. “A cooperação internacional nos possibilita compartilhar informações vitais, acelerar pesquisas e aprimorar os protocolos de segurança sanitária”, diz o professor da Faculdade de Direito. “Estamos cientes do papel de liderança da UFMG no país e na região, o que nos exige uma postura proativa e solidária.”

Aziz Saliba lembra que os acontecimentos “estão se desenrolando em ritmo frenético, enquanto tentamos nos equilibrar entre múltiplas atividades, aprender sobre um inimigo invisível e desconhecido e imaginar como será o mundo pós-pandemia”. Por ora, segundo ele, “com prudência e cautela, estamos descobrindo com os parceiros não apenas como superar esse desafio, mas como poderemos ser mais cooperativos. Estamos mais atentos ao que as tecnologias podem nos propiciar e à gritante necessidade de inclusão digital”.

[Esta matéria encerra série sobre as ações desenvolvidas por pró-reitorias e diretorias em meio à suspensão das atividades presenciais provocada pela pandemia do coronavírus. Foram publicados relatos sobre as ações das pró-reitorias de Pesquisa, de Pós-graduação, de Extensão, de Assuntos Estudantis, de Graduação, de Planejamento, de Administração, de Recursos Humanos, da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica e da Diretoria de Ação Cultural.]